terça-feira, 15 de outubro de 2013

Simão Jatene cogita até em renunciar ao mandato, juntamente com o vice

  Os arraiais políticos parauaras estão em brasa. Nem mesmo a proximidade do  Círio de Nazaré tem arrefecido o ímpeto de uns e outros. Na base aliada ao governo, o desenho definido após o prazo final para mudanças de partido confirmou suspeitas e aprofundou fraturas. Há conversas febris
nos bastidores, grupos tratando de se fortalecer para o embate – interno – em 2014.
No ninho tucano, o governador Simão Jatene, mais do que nunca, é candidato. Houve um tempo em que cogitou não ser. Afinal, quem o conhece sabe que ele jamais defendeu a reeleição. Ademais, considerando que, aos 64 anos, com quatro stents no coração, um casamento feliz e a família querendo a sua saúde ao invés da aporrinhação das disputas políticas,  era melhor ir aproveitar a vida. Mas Jatene também é movido a desafios – e o repto lançado pelo PMDB, até mais do que o PT, tem sido o seu combustível -, além do que se ele não for candidato o PSDB do Pará vai se esfacelar em meio a uma briga intestina pelo poder da qual todos sairão órfãos, a exemplo da protagonizada por Alkmin, Serra e Aécio, em nível nacional, que ficam se bicando e por isso perdem para o adversário em comum.
A consolidação da força política do chamado grupo de Paragominas, principalmente depois da filiação ao PSB – com entendimento direto entre Jatene e o governador Eduardo Campos – do secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção Sidney Rosa, e da nomeação do ex-prefeito Adnan Demachki para secretário especial de Proteção Social, está tirando o sono de tucanos e do resto da base governista. Ninguém ignora que Sidney Rosa tem mapeado o Pará inteiro, em missões representando o governador. E que sua candidatura ao Senado está posta, em detrimento à reeleição do senador Mário Couto. Que, por sinal, já acusou o golpe. E, claro, não reagiu bem a ele e acionou a executiva nacional do PSDB para fazer valer os seus direitos.
Por outro lado, o fortalecimento do grupo de Paragominas fortalece o prefeito Zenaldo Coutinho, joga para escanteio as pretensões, digamos, palacianas, para 2018 do senador Flexa Ribeiro e do prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, e sepulta o já isolado nas hostes tucanas deputado federal Nilson Pinto. O ranger de dentes é alto e esta semana aconteceram diálogos ásperos.
Para piorar a situação, é tido e havido que é preciso contemplar o oeste do Pará na futura chapa que concorrerá ao governo. O vice Helenilson Pontes luta para se manter no posto, mas políticos conterrâneos se divertem em hostilizá-lo abertamente. O deputado federal Lira Maia(DEM) faz pressão para ficar em seu lugar e nem se preocupa em dissimular.
Nesse cenário, o governador examina várias possibilidades. E uma delas causou burburinho no seio da Faepa, a Federação da Agricultura e da Pecuária do Pará, pelo ineditismo: em conversa reservada, Jatene expôs ao deputado Márcio Miranda(DEM) que cogita renunciar ao mandato, juntamente com o vice, Helenilson Pontes, com o que o presidente da Alepa, segundo na linha sucessória, assumiria o governo do Estado, nos últimos seis meses do mandato. Jatene daria, com isso, exemplo nacional de ética, concorrendo em igualdade de condições com os seus adversários na campanha eleitoral, além do que ficaria livre de qualquer acusação de uso indevido da máquina pública. A ideia faz sentido e de fato seria um choque estratégico, alcançando grande repercussão e desdobramento tanto no âmbito da coligação política quanto do marketing. A conferir.
Fonte: Franssinete Florenzano

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